Friday, November 11, 2011

O CUMUNISTA

 

        SEU CUMUNISTA SAFADO! TEJE PRESO

 


O "CUMUNISTA" E O CABO MURIÇOCA

Assim que a revolução triunfou, chegou à pacata cidade de Junco do Seridó o seguinte telegrama, enviado pelo general vitorioso, ao Cabo Muriçoca, delegado do lugar: "Prenda todos os comunistas em nome do Exército Nacional".

O "Cumunista"
Caso verídico ocorrido nos Cariris Velhos-PB, que me foi repassado pelo historiador Hermano Nepomuceno, e repasso para o deleite dos senhores.
Assim que a revolução triunfou, chegou à pacata cidade de Junco do Seridó o seguinte telegrama, enviado pelo general vitorioso, ao Cabo Muriçoca, delegado do lugar: "Prenda todos os comunistas em nome do Exército
Nacional".
Orgulhoso e ancho por tamanha distinção,o cabo reuniu a tropa, exibiu o telegrama como um troféu, leu os seus dizeres e passou a indagar:
- Alguém aí sabe o que é "cumunista". Silêncio na platéia. Até que apareceu um soldado sarará, do beiço rachado, um olho aberto e o outro fechado, para sugerir:
- Seu cabo, na minha opinião, "cumunista" é cabra que
come cu.

Aí o delegado, com jeito de quem descobriu o Brasil, ordenou:
- Se é assim, vamos invadir o cabaré de Maria Priquitinha e prender todo indivíduo que estiver comendo cu.
Dito e feito. Chegaram logo quebrando as portas, invadindo os quartos, pegando os casais no bem bom. Já tinham invadindo cinco quartos, quando no sexto encontraram um sujeito enrabando a quenga "Joinha".
O delegado não pestanejou:
-Teje preso seu "cumunista" safado, em nome do Exército Nacioná.
O pobre homem ficou logo de pimba mole, suando por todos os buracos, enquanto balbuciava:
- Mas seu delegado, eu não fiz nada...
- Fez, seu subversivo. Você tava cumendo um cu e quem come cu é "CUMUNISTA", esbravejou Muriçoca.
Ao pobre “cumunista” só restou uma explicação derradeira:
-Seu delegado, juro por minha mãe que está no céu: esta é a primeira vez que eu como um cuzinho. O que eu sou mesmo, o senhor pode acreditar, é  “BUCENISTA”.

Materia recebida e reeditada pelo Blog www.franciscoitaliano.blogspot.com

Monday, October 3, 2011

A ARTE DE FAZER COM FERRO–MESTRE SOLIDÔNIO

SOLIDÔNIO RANGEL DE MORAIS

A ARTE DE FAZER COM FERRO

APENAS UM FERREIRO! OU UM GÊNIO?

By Francisco Italiano Neto

image

Mestre Solidônio – São Mamede – Paraiba, Brasil

A HISTÓRIA DE UM MESTRE

O não apenas "ferreiro" SOLIDÔNIO RANGEL DE MORAIS(1921-1992) foi muito mais que um simples ferreiro. Foi sim, um engenheiro: sem fronteiras, sem diploma e sem reconhecimento porem, um talento, que só agora o mundo conhecerá um pouco do que ainda resta de sua inusitada obra! Graças a iniciativa espontânea deste seu conterrâneo, do amigo Jaime Rangel e da internet, é claro!

Verdadeiras artes, idealizadas e construidas artesanalmente por ele.  Mas apesar do grande feito, passou despercebido aos olhos dos (então) intelectuais, políticos e provedores da cultura paraibana e do Brasil, como um todo. Não é novidade!

Nasceu e viveu toda sua existência  na pacata cidade de São Mamede, (northeast Brazil), sertão do Estado da Paraiba. Filho de Dom João "Girolme" Evangelista de Morais e Dona Luiza Maria do Carmo, casado com Dona Inácia Rangel de Araújo, com quem teve  6 filhos, frutos desse único casamento.

 

UMA INTELIGÊNCIA INCOMUM!

Para sobreviver, fabricava fechaduras, fechos para espingardas, chaves, dobradiças, ferrolhos, pregos, pinos, dentaduras, celas, cabrestos, esporas, chibatas, arreios e outros suprimentos para o mercado consumidor da região.  Simplesmente conhecido, apenas comoSolidônio. Sinônimo de "Craftman" e/ou "Handyman" (aí complica!...), aquele que tudo faz à mão. No nosso popular chamamos de o homem dos sete instrumentos. (aí melhorou!....)

Alem de pregos, pinos,  consertos de relógios, etc. etc. Ele, com ferro, torno e limas, construiu sofisticadas raridades e poderosas máquinas que só uma industria modernamente equipada à época, poderia fazê-lo. Ele, somente  ele construiu, usando sua genialidade e suas próprias mãos!

Num modesto espaço medindo cerca de 3X4m. instalou-se com sua oficina, onde construiu ali máquinas que o mundo até hoje desconhece  suas origens.

Entre máquinas, instrumentos, estão: revolveres, espingardas, rifles de repetição,  clarinetas, requintas e outras raridades,  construídos com competência, qualidade e perfeição se, comparados  aos fabricados pelas grandes corporações nacionais e internacionais. É ver para crer!

Trata-se de uma inteligência incomum. Um engenheiro nato na pura concepção da palavra. Usando a expressão "Santo de Casa Não Faz Milagre" o dito popular é mais que uma verdade verdadeira!  Solidônio não foi uma exceção à regra! Um ilustre desconhecido na sua próprio terra natal, apesar dos feitos por ele, em prol de sua amada "pátria" São Mamede e sua gente! .....Continua desconhecido!

Dizem que "brasileiro tem memória curta" ou, quem sabe? Não tem espírito patriótico, culturalmente conservador para preservar sua própria história. Ta explicado! Se soubessem? Saberiam que o Mestre contribuiu com  o enriquecimento cultural, artístico, industrial e histórico de nossa cidade, como nem um outro filho,  até prova contrário!

CRAFTMAN AND/OR HANDYMAN PERSON - Só para ilustrar - Somebody who makes things by hand: somebody who makes decorative or practical objects skillfully by hand.  Skillful person: somebody who does something with great skill and expertise. Alguém que faz coisas com as mãos ou alguém que faz objetos decorativos ou práticos habilmente à mão. Pessoa habilidosa: alguém que faz algo com grande habilidade e perícia. ........foi assim o nosso habilidosoSolidônio Morais. Habilidoso: não confundir com curioso! Por favor!

image

image

Não só músico da Banda, mas também fabricou instrumentos musicais

Veja na foto, a clarineta feita com suas mãos. E os revolveres, tambem fabricados pelo Mestre

O CONVIDADO!

Para falar mais sobre este mito (meu conterrâneo, com orgulho),  Mister Solidônio Rangel de Morais, convidei, ninguém melhor e não menos inteligente, seu irmão Jaime Rangel. Jaime é um patrimônio cultural brasileiro (alguem discorda disto.....?), e mais ainda porquê, assistia a tudo, ao vivo e a cores! Garoto prodígio que seguia de perto todos os passos do seu velho mano. O mestre Solidônio! Leia, a seguir apenas  uma partícula, do que o Jaime  viu, ouviu, viveu e aprendeu com o mano mestre. 

O texto a seguir  by Jaime Rangel de Morais, especialmente  autorizado para  divulgação, apenas, no Blog  www.franciscoitaliano.blogspot.com

SOLIDÔNIO - QUASE UM MITO!
By Jaime Rangel de Morais

O MENINO Solidônio nasceu no pequeno município de São Mamede, estado da Paraíba, localizado em plena caatinga, castigada pela seca. Filho de pais pobres, que nunca tiveram como se deslocar para um centro mais desenvolvido, onde pudessem dar uma educação mais aprimorada aos filhos, Solidônio foi criado, até os quatro anos, na zona rural, quando a família se viu obrigada a abandonar a agricultura, por causa da seca e se estabelecer na sede do pequeno município.

O nosso personagem não se dedicou aos estudos devido ao seu estado de saúde que não era dos melhores, o que, segundo o seu professor, não contribuiria para o desenvolvimento da sua inteligência... e ficou o garoto sem estudar, vítima das brincadeiras de mau gosto dos seus ex-colegas.

Porém, o menino desenvolveu, sim, uma inteligência fora do comum, o que passou a chamar a atenção de muita gente. Foi um legítimo autodidata e aprendeu rapidamente a ler, sozinho, encolhido pelos cantos com a sua cartilha entre as pernas, silencioso e arredio. Nunca mais, entretanto, quis entrar numa escola. Não foi, é verdade, um exemplo de formação cultural, mas nunca precisou de ninguém para lhe explicar aquilo que lia.

Antes de completar os dez anos, já era o líder da sua turminha, pois construía brinquedos de madeira que chamavam a atenção pela originalidade e perfeição. Fazia complicadas engrenagens, um emaranhado de rodinhas de madeira e cilhas de couro que, ao girar de uma pequena manivela, provocava uma série de movimentos distintos e curiosos em toda a máquina.

Logo cedo, começou a acompanhar o seu pai no trabalho, ajudando-o a fazer peças de couro, ferro, metal e madeira. Havia nascido um dos maiores artistas que a Paraíba conheceria.

Em São Mamede, lá pelos idos 1935, havia uma pequena banda filarmônica que começou a atrair as atenções do já rapaz Solidonio, ou “Doninho”, como era chamado intimamente. Sempre que possível, ficava a admirar os instrumentos, examinava-os, e, quase sempre, tentava tirar sons numa clarineta ou numa requinta, dois instrumentos que mais lhe atraíram. O maestro da banda não fez por menos: vendo o interesse de Doninho, convidou-o para assistir às aulas de música que eram ministradas todas as noites na sede da banda, o que foi aceito de imediato. Havia naquele jovem o desejo de aprender tudo o que lhe estivesse ao alcance... e, logo, lá estava ele a desfilar orgulhosamente no meio dos músicos, como o primeiro clarinetista da banda filarmônica de São Mamede.

Não ficou por aí, entretanto. Na sua ânsia de se aperfeiçoar, sentiu que a clarineta que lhe entregaram estava carcomida pelo tempo, começava a desafinar, o que prejudicava o bom desempenho do músico. Com a permissão do maestro, que não media distância para incentivar o rapaz, Solidônio levou a clarineta para tentar conserta-la, sabendo que seria uma tarefa difícil. Tentou e, a cada passo, tornava-se mais difícil recuperar aquele instrumento. Tomou, então, a decisão que haveria de projetar o seu nome em todo o meio artístico-amador estadual e nacional!

Seu pai, João Girolme, como era chamado e conhecido por todos, trabalhava como artesão, na fabricação de selas, arreios e demais acessórios para montarias animais. Nas horas de folga, entretanto, se dedicava a pequenos consertos mecânicos e tinha uma rústica oficina onde só havia ferramentas manuais,visto que a eletricidade ainda não chegara ali. Somente limas, serras, martelos, alicates e uma furadeira manual, feita por ele mesmo! E foi neste cenário que Solidonio, com o incentivo do pai, começou a fazer a sua primeira clarineta!...A tarefa parecia de gigante, não havia recurso técnico nenhum que facilitasse o trabalho, mas isso não intimidou pai e filho. Começaram as pesquisas,,,

Como a clarineta é feita de madeira, tiveram de descobrir qual seria mais indicada, e decidiu-se que o melhor seria uma espécie dura, que não permitisse a infiltração de umidade, o que poderia prejudicar a pureza do som.

O sertão paraibano é rico em espécies as mais variadas, e Solidonio não teve dificuldade em se decidir pelo ANGICO, cujo miolo é duro e resistente, difícil de ser trabalhado. E foi do miolo do ANGICO que surgiu aquela obra prima.

Primeiro foi necessário construir um TORNO MECANICO... de madeira, para fazer o desbaste do angico, dando forma ao instrumento. Segundo, foi preciso adaptar o mesmo torno para perfurar a madeira em todo o seu comprimento, vindo, depois, um acabamento esmerado e detalhado, feito completamente à mão. Não se comprou nenhum acessório para o instrumento, nem mesmo as chaves de metal que possibilitam a maior variedade de sons. Para isso, foi montada uma pequena fundição de metais, tudo artesanal, e, depois de fazer todos os moldes em madeira de umburana, procedeu-se a fundição das chaves, com metal branco, de muita beleza. Novamente o acabamento meticuloso e caprichado, como tudo o que ele fazia, aliás.

Quase dois meses se haviam passado, fazendo, perdendo e fazendo novamente, testando, etc...E, numa bela tarde de domingo, os primeiros sons daquela clarineta artesanal se fizeram ouvir, tocados pelo seu construtor!!! Empenho, perseverança e sucesso!

As notícias correm ligeiras numa cidade pequena e, logo, todos sabiam do grande feito daquele jovem que, um dia, foi desaconselhado a estudar, porque a sua inteligência seria insuficiente para aprender.

Quando alguém lhe perguntou se não teria sido mais fácil comprar uma clarineta nova, Solidonio respondeu:-“Sim... mas eu não estaria sabendo que sou capaz de fazer uma!...”

Isso foi, apenas o primeiro impulso A partir daquele dia, Solidonio, ou Doninho, não parou mais de criar, de fazer, de inventar. Criava coisinhas simples para divertir os amigos!... certa vez conseguiu fazer uma caixinha de madeira, onde colocou uma nota de dez mil réis (moeda da época) e desafiou qualquer um a ganha-los se conseguissem abrir a caixinha . Ele abria, a um simples toque, porem ninguém conseguiu ganhar os dez mil réis.

Sua vida foi de desafios que ele lançava contra si próprio.

Durante muitos anos trabalhou como protético dental sem nunca ter freqüentado um curso

Os habitantes das cidades vizinhas acorriam em busca dos seus serviços.

Traziam-lhe armas para consertar, quando outros artesãos se recusavam a fazê-lo, alegando que não havia mais condições de conserto...então ele fazia as peças que faltavam

Ao lado das muitas clarinetas e requintas que fabricou, existem outras obras de suas mãos. Senão vejamos!

De tantos consertos, que eram verdadeiros milagres de recuperação, surgiu, pouco a pouco, na mente previligeada do nosso personagem, o desejo de criar uma arma de caça simples... simples de usar, simples de consertar, sem que houvesse perda de qualidade e de eficiência. E criou uma espécie de espingarda cartucheira de manuseio extremamente simplificado, indicada para a caça de pequenos animais, mas que, dependendo da necessidade, poderia disparar balas de calibre 44 com a mesma precisão de um WINCHESTER de longo alcance.

Às vezes ele se recolhia em profundo silêncio, sentado em uma cadeira de balanço, que embalava lentamente. O olhar ficava perdido na distância, durante horas e ninguem ousava interromper aquele recolhimento! Ao levantar-se, caminhava lentamente até à sua oficina rústica, onde a única máquina elétrica existente era um tôrno mecânico, de aço, que ele mesmo construira... Começava, então, uma maratona ao som de marteladas, ruído de limas desbastando aço, serras em movimento e o resfolegar cansado de um "fole" entremeado do ruído estridente de uma ventoínha manual, utilizada para fundir metais. Era o "gênio"  desdobrando-se em criar materialmente aquilo que já criara mentamente, desprezando toda modernidade e fazendo questão de fazer, ele próprio, as ferramentas mais complicadas. Merece destaque as engenhocas que ele criou para fazer o cilindro onde se alojam as balas do revólver; outra que ele criou para fazer os sulcos existentes no interior dos canos das armas e que possibilitam maior precisão de tiro...

Solidônio fabricou rifles repetição que nunca vendeu... destruia-os ou presenteava amigos. Sua última criação foi um revólver cal. 38 totalmente de bronze no exterior e completamente de aço no seu interior. Uma verdadeira obra de arte, dourada e reluzente que despertou a cobiça de muitos, mas que nunca fez despertar em Solidonio a cobiça pelos milhares de reais que lhe ofereceram por ela. 

O que maravilhou a opinião pública, entretanto, foi a simplicidade desse jovem, humilde pelas suas origens e pela sua personalidade simples.

Fazia questão de trabalhar com o mínimo possível de recursos técnicos pois, segundo ele. “eu quero ter o prazer de dizer que eu fiz com as unhas e os dentes” (risos).

Acredito que, ainda hoje, num determinado museu carioca onde estão os pertences de Getúlio Vargas, existe uma sela “roladeira”, toda feita em couro de bode e com botões de metal branco, presente de um empresário paraibano ao então Presidente da República.

Essa sela, foi feita por Solidônio e seu pai, João Girolme , como era conhecido o sr. João Evangelista de Morais., residente na rua da Usina – São Mamede (PB), como consta num carimbo existente no interior da capa da mesma.

Ambos, pai e filho, estão sepultados em São Mamede (Pb).

Hoje, pouca lembrança resta desses dois gênios da arte que tanto ajudaram a projetar o nome de São Mamede no cenário nacional!!!

São Mamede - PB, 22 de Maio de 2009

copyright © todos os direitos reservados

image image image
O Torno, obra do Mestre Seu João  e Dona Luiza Rangel O Mestre Solidônio e o Torno
image image
Nando Cordel, Fco. Italiano e Vanuza Ramos

Jaime Rangel

Francisco Italiano

Miami, Florida - Materia publicada sobre setembro de 2009  - blog – franciscoitaliano.blogspot.com.br 

Sunday, October 2, 2011

Wednesday, September 28, 2011

NOEL ROSA

NOEL ROSA – O POETA

MAIOR

1910 - 1937

Retorna para a página principal de MEMÓRIA VIVA

Noel de Medeiros Rosa, nasceu em 11 de dezembro de 1910, em Vila Isabel, na cidade do Rio de Janeiro. Sua mãe, dona Marta, teve problemas no parto. O médico precisou usar fórceps e afundou o maxilar de Noel, que viria a ser um homem magro e fraco porque tinha dificuldades para mastigar. Ganhou o apelido de “Queixinho” na escola, o que nunca se tornou um trauma; pelo contrário, acabou se tornando um adulto irônico e debochado. Além do problema no queixo tinha a voz fanhosa, o que também não o impediu de cantar e ser o sambista de maior sucesso de sua época no Rio.

Tocava violão com o Bando de Tangarás, ao lado de Almirante, João de Barro e outros. No início, em 1929, era músicas regionais nordestinas. O primeiro samba, Com que roupa?, nasceu ainda naquele ano. Transformou-se no grande sucesso do carnaval de 1931. Com isso, Noel teve que fazer sua primeira grande escolha: a Medicina (era aluno do primeiro ano) ou o Samba. Escolheu o Samba, claro!

SEU BAIRRO, AMORES E DESAFETOS

    Em suas músicas falava de seu bairro, seus amores, seus desafetos, suas piadas. A sábia escolha do ex-futuro médico garantiu à música brasileira momentos primorosos: Pierrô apaixonadoPastorinhasO orvalho vem caindo, Feitio de oraçãoNão tem tradução, Pra que mentir, Conversa de botequim, Gago Apaixonado, São coisas nossa,Mulher indigesta, Mentiras de mulher, Feitiço da vila, Dama de Cabaré, Palpite infeliz, Último desejo, Fita amarelaI e muitas outras canções.

     Em 1933, casou com a sergipana Lindaura, mas continuou com sua vida noturna e, como era de se esperar, a vida íntima do casal acabou em seus sambas. Tuberculoso, Noel tentou se curar no clima frio e seco de Belo Horizonte, em Minas Gerais, mas voltou ao Rio, em 1935, quando entre a saúde e a boemia do samba, escolheu mais uma vez esta última opção. Morreu aos 26 anos, em maio de 1937, deixando mais de 100 músicas nas quais “exalta a vadiagem e seus amores, fazendo da pobreza poesia e de Vila Isabel um reduto do samba”.

O Jornal FOLHA DA FLORIDA - Edição: junho de 1995 - por Francisco Italiano Neto - Publisher - Editor, publicou uma matéria, muito especial, sobre o nosso compositor maior, NOEL ROSA. Leia, na íntegra a matéria abaixo, como ele compôs o hino, Útimo Desejo

ÚLTIMO DESEJO

Foi lá pela década de trinta - talvez: 1935, 36 ou 37. Estavam num cabaré da Lapa (Rio), alguns amigos  dele, quando o próprio Noel Rosa entrou no recinto e foi até a mesa dos reverendíssimos e pediu uma cerveja. Entre papos e goladas, lá pelas tantas da madrugada, uma das raparigas - no bom sentido - dançarinas se aproximou da mesa "boémia" e, pelas costas do já famoso Noel Rosa e com as duas mãos tapou-lhe os olhos e disse "Te dou um doce se adivinhares quem sou eu". Noel citou vários nomes, más jamais o da dançarina.

Ela então soutou-lhe e si pós de frente para ele "Sou eu seu bobo" disse a dançarina. Más Noel simplesmente não a reconheceu. Jamais imaginou tê-la visto antes "magra ou gorda"! Pediu mil desculpas, mas realmente não se lembrava da distinta e então civilizada jovem.

A moça, feito uma tigresa desapontada, resolveu reavivar sua memória "Não te lembras daquele baile de São João...? Há  3 anos passados...? Nós saímos às escondidas, fugindo da multidão?"

Aí o esquecido Noel começou a se lembrar! Havia realmente fugido da festa com a moça. Quando tinham ido parar num terreno baldio; ora num canto de muro; ora numa moita, no silêncio do escurinho. E, ele de memória fraca, tinha sido o primeiro.

 

E agora Noel? A festa acabou? A moça está ali na sua frente e na frente dos seus amigos - uma dançarina de cabaré - Noel perdeu as estribeiras e ficou visivelmente destreinado "sim é claro eu me lembro..." A  moça, irritadíssima se afastou, e ele, baixou a cabeça diante dos amigos e, ali mesmo começou a escrever alguma coisa na toalha da mesa.

Pediu mais uma cerveja, mais outra, mais outra e mais outra. Quando saíram do cabaré notava-se que ele estava em outro mundo - pensamento bem mais prá lá da lua - E aí?  Vários dias depois desse episódio, um dos amigos que estavam presente, voltou ao cabaré. O garçom que os atendeu, perguntou "Cadê o Noel? Eu guardei e queria dar a ele esta toalha da mesa. Tem alguns versos escritos nela! Será que ele não vai precisar?

O amigo tomou a toalha nas mãos e, o que estava alí escrito? Inteirinha, com todas as vírgulas, a letra da preciosíssima e jamais esquecida canção do compositor maior de todos os tempos Noel Rosa, Última Desejo. Foi assim como ele a compôs. Confira a letra abaixo, para lembrar e cantarolá um pouco desse hino.

image

ÚLTIMO DESEJO

NOSSO AMOR QUE EU NÃO ESQUEÇO,
E QUE TEVE SEU COMEÇO,
NUMA FESTA DE SÃO JOÃO, 
MORRE HOJE SEM FOGUETE,
SEM RETRATO E SEM BILHETE,
SEM LUAR, SEM VIOLÃO.

PERTO DE VOCÊ ME CALO
TUDO PENSO E NADA FALO
TENHO MEDO DE CHORAR.
NUNCA MAIS QUERO O SEU BEIJO
MAS MEU ÚLTIMO DESEJO
VOCÊ NÃO PODE NEGAR.

SE ALGUMA PESSOA AMIGA
PEDIR QUE VOCÊ LHE DIGA
SE VOCÊ ME QUER OU NÃO,
DIGA QUE VOCÊ ME ADORA,
QUE VOCÊ LAMENTA E CHORA
A NOSSA SEPARAÇÃO.

AS PESSOAS QUE EU DETESTO
DIGA SEMPRE QUE EU NÃO PRESTO
QUE MEU LAR É UM BOTIQUIM,
QUE EU ARRUINEI SUA VIDA,
QUE EU NÃO MEREÇO A COMIDA
QUE VOCÊ PAGOU PRA MIM.

 

 

A ARTE DE FAZER COM FERRO

ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

 

ORAÇÃO DE SÃO FRACISCO DE ASSIS

Estátua de São Francisco De Assis

TEXTO ORIGINAL DESTA ORAÇÃO

Belle prière à faire pendant la Messe

Seigneur, faites de moi un instrument de votre paix.

Là où il y a de la haine, que je mette l’amour.

Là où il y a l’offense, que je mette le pardon.

Là où il y a la discorde, que je mette l’union.

Là où il y a l’erreur, que je mette la vérité.

Là où il y a le doute, que je mette la foi. Là où il y a le désespoir, que je mette l’espérance. Là où il y a les ténèbres, que je mette votre lumière. Là où il y a la tristesse, que je mette la joie.

Ô Maître, que je ne cherche pas tant à être consolé qu’à consoler, à être compris qu’à comprendre, à être aimé qu’à aimer, car c’est en donnant qu’on reçoit, c’est en s’oubliant qu’on trouve, c’est en pardonnant qu’on est pardonné, c’est en mourant qu’on ressuscite à l’éternelle vie.

A esquerda: A Estátua de jardim de São Francisco de Assis cercado por pássaros, por seu amor à natureza. O santo é associado ao movimento de defesa da ecologia.


UMA DAS MAIS CONHECIDAS TRADUÇÕES PARA A LÍNGUA PORTUGUESA DESTA OREÇÃO


Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa
Paz.

Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,
Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.

Onde houver Discórdia, que eu leve a União.

Onde houver Dúvida, que eu leve a .

Onde houver
Erro, que eu leve a Verdade.

Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.

Onde houver
Tristeza, que eu leve a Alegria.

Onde houver
Trevas, que eu leve a Luz!
Ó Mestre,
fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando, que se recebe.

Perdoando, que se é perdoado e
é morrendo, que se vive para a vida eterna!

Amém
!

La Clochette, n° 12, dec. 1912, p. 285.

Blog MEMORIES, Set, 28/2011 - Miami, Florida, USA – Francisco Italiano Neto